A dor de perder um filho é devastadora para uma mãe, pois se trata de uma situação que vai contra a ordem natural da vida. O que muda na vida de uma mãe quando um filho se vai? Como isso afeta a vida conjugal? Estas e outras perguntas serão respondidas neste artigo. Boa leitura!
O luto materno: uma perda que vai contra a ordem da vida
Quando ocorre a perda precoce durante a gestação ou logo após o parto — processo também conhecido como luto perinatal —, a família nunca estará totalmente preparada para lidar com uma perda tão repentina, pois essa é uma ideia que contraria a ordem natural da vida.
Mas, quando ocorre a perda precoce de um filho, seja durante a gestação ou em um momento inesperado da vida, uma mãe, um pai e os demais integrantes da família nunca estarão preparados para lidar com esse tipo de situação e com todos os sentimentos que ela envolve.
O que muda dentro de uma mãe depois da perda
A perda de um filho altera a identidade de uma mãe e toda a estrutura de vida que havia sido traçada para ela e para o filho que se foi. Uma mãe que passa por essa experiência tem sua visão de mundo transformada de forma irreversível, lidando frequentemente com a dor e a culpa no luto.
A identidade materna em suspensão
Quando um filho se vai abruptamente, a mulher perde o seu papel de mãe, o que gera sofrimento mental e exige um tempo de elaboração. Nessa situação, a mãe perde a pessoa para quem eram direcionados o seu cuidado, a sua preocupação, o seu amor e a sua proteção, deixando um vazio existencial e na rotina. Além disso, essa perda faz com que a vida pareça perder o sentido, ainda que seja por um breve momento.
O corpo que também enluta
Ao perder um filho, a dor manifesta-se tanto no aspecto emocional quanto no físico da mãe. Geralmente, o corpo expressa esse sofrimento por meio de diversas sensações, como falta de ar, cansaço extremo, falta de apetite, aperto no coração e desregulação do sono.
O luto materno e as relações
Um luto, por si só, já é motivo suficiente para virar a rotina de uma pessoa pelo avesso, ainda mais quando se trata da perda de um filho. Diante desse tipo de acontecimento, a mulher sofre impactos em todas as suas relações — familiares, sociais e amorosas —, tendendo a se afastar de seus vínculos afetivos para lidar com a dor e o vazio decorrentes dessa perda.
O casal diante da perda
Em um momento de perda como esse, o casal pode lidar de formas diferentes com o processo de luto, o que pode representar um desafio, mas também uma oportunidade de crescimento para ambos.
Um exemplo de situação que pode ocorrer é quando uma das pessoas da relação deseja conversar sobre o filho, expressar a saudade e a falta que ele faz, enquanto a outra prefere não falar sobre o assunto, buscando ocupar-se com outras tarefas do dia a dia.
Não existe uma maneira correta de lidar com o luto pela perda de um filho, mas é importante que haja diálogo, apoio e respeito ao espaço individual de cada um. Dessa forma, o casal consegue apoiar-se mutuamente sem ultrapassar os próprios limites emocionais.
Os filhos que ficaram
Com a perda de um integrante central da família, os filhos que permaneceram precisam lidar com o próprio luto, ao mesmo tempo em que tentam silenciar o próprio sofrimento para que ele não seja percebido pela mãe. Nessa dinâmica, podem sentir-se sobrecarregados emocionalmente e até mesmo colocados em segundo plano.
O ideal é validar a dor dos filhos que permaneceram, oferecendo-lhes espaço de escuta e acolhimento, possibilitando que todos os membros da família conversem sobre o vazio que se instaurou na rotina. Caso sintam necessidade, entender quando é a hora de buscar ajuda para o seu luto e contar com um psicólogo especializado pode auxiliar toda a família no processo de elaboração.”
O que as mães enlutadas buscam ouvir
As mães enlutadas precisam ter seus sentimentos validados de forma honesta, em um espaço seguro para se expressarem. O que elas querem e precisam ouvir é que está tudo bem não serem fortes o tempo todo, que podem dizer o nome do filho com carinho e sem pesar e contar com a companhia de alguém que não precisa ter respostas para todos os conflitos internos que possam estar vivenciando.
O que pode ser evitado nessas situações são frases clichês e insensíveis que, na maioria das vezes, minimizam a dor de quem está passando por um sofrimento intenso e singular.
O que ajuda no processo de luto materno
Validação dos sentimentos, rede de apoio e acompanhamento psicológico são peças fundamentais para que uma mãe consiga elaborar a perda de um filho, permitindo-se sentir a dor, a falta, a saudade e todos os sentimentos que surgem quando essa circunstância se apresenta.
Quando buscar apoio especializado
Ao menor sinal de isolamento, tristeza profunda ou dificuldade para realizar as atividades do dia a dia, é essencial buscar apoio para pais que perderam filhos através da ajuda especializada em luto, como a oferecida por psicólogos, psiquiatras ou grupos de apoio formados por pessoas que estão passando pelo mesmo processo.
Acompanhe a mãe enlutada, escute-a e ofereça o apoio necessário para que ela possa atravessar esse momento de forma saudável e acolhedora. Se o sofrimento se prolongar de forma paralisante sem sinais de elaboração, vale estar atento aos sinais de um luto patológico, que exige uma intervenção terapêutica mais profunda.
O processo de recomposição após a perda de um filho leva tempo. Se você ou alguém próximo precisa de acolhimento, confira nossos outros conteúdos sobre luto e terapia em nosso portal e saiba que você não precisa atravessar este momento sem apoio.