O Impacto Emocional da Eutanásia

Luto Pet

A despedida de um pet nunca é fácil. Para muitos tutores, a decisão pela eutanásia vem carregada de dúvidas, culpa e um aperto no peito que parece não ter fim. E para os veterinários? Bom, eles também sentem – e sentem muito. Afinal, são eles que precisam comunicar essa decisão, acompanhar o momento e lidar com a dor dos tutores, enquanto tentam equilibrar a própria saúde emocional.

O Peso Emocional para os Tutores

Se você já passou por isso, sabe como é difícil. O amor que sentimos por nossos animais de estimação faz com que o momento da despedida seja devastador. Mesmo sabendo que a eutanásia pode ser a escolha mais compassiva, a culpa e a dúvida costumam aparecer: “Será que fiz tudo o que podia?”, “E se eu tivesse esperado mais um pouco?”. Essa ambivalência pode tornar o luto ainda mais doloroso.

O jeito como esse processo acontece também faz toda a diferença. Quando o veterinário conduz o momento com acolhimento, empatia e respeito, a dor se torna um pouco mais suportável. Mas quando a experiência é fria ou apressada, o impacto emocional pode ser muito mais profundo e difícil de superar.

A Carga Emocional para os Veterinários

Agora, vamos falar do outro lado. Imagine passar por esse momento várias vezes na semana, todos os meses, por anos. Muitos veterinários sofrem silenciosamente com o peso de realizar eutanásias e com a dor que observam nos tutores. O vínculo com os animais, o impacto de ver o sofrimento de quem ama aquele pet e a necessidade de manter a calma e profissionalismo fazem com que a saúde mental desses profissionais fique em risco.

Não é à toa que a medicina veterinária é uma das profissões com altos índices de burnout e fadiga da compaixão. A constante exposição à dor, à morte e ao luto faz com que muitos veterinários se sintam emocionalmente exaustos. Isso sem contar o peso de precisar tomar decisões difíceis e lidar com tutores que, muitas vezes, projetam sua dor no profissional.

Como Lidar com Esse Impacto?

A verdade é que ninguém precisa enfrentar isso sozinho. O suporte emocional faz toda a diferença – tanto para os tutores quanto para os veterinários.

Se você é tutor:

  • Procure apoio emocional e grupos de luto pet. Você não está sozinho nessa dor.
  • Criar um ritual de despedida pode ajudar a honrar a memória do seu pet.
  • Fale sobre seus sentimentos. Compartilhar sua dor pode torná-la mais leve.
  • Se informe sobre o processo da eutanásia com o veterinário, para reduzir a culpa e as dúvidas.

Se você é veterinário:

  • Busque apoio profissional e compartilhe suas emoções com colegas de profissão.
  • Não negligencie seu autocuidado. Pequenos momentos de descanso fazem a diferença.
  • Desenvolva estratégias de comunicação empática para aliviar o peso das conversas difíceis.
  • Tenha um espaço seguro para falar sobre suas experiências e sentimentos.

A eutanásia pode ser um ato de amor, mas é também um momento de profunda dor. Quanto mais conseguirmos falar sobre isso, oferecer suporte e humanizar essa experiência, melhor será para todos. Ninguém precisa enfrentar o luto sozinho – e, juntos, podemos transformar essa despedida em um ato de respeito, acolhimento e, acima de tudo, amor.

Conheça o Autor

Juliana Kawano Sato é psicóloga (Universidade Presbiteriana Mackenzie), especialista em Transtornos Alimentares (Unifesp), Tanatologa (Escutha), Suicidologista (USCS), Pet Grief (APLB), Prolonged Grief (Columbia University). Mestranda (UNIFESP), diretora da Ekoavet, membro do PROALU e do NIPED. Coordena um grupo de estudos sobre luto na medicina veterinária, é coautora do livro "Acolhimento ao luto: guia prático para profissionais da saúde" e tem publicações em saúde mental, luto e medicina veterinária.

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