Ao decorrer dos anos, damos-nos conta do funcionamento do mundo e da própria vida. Assim, criamos consciência da finitude e de que o nosso tempo de vida é limitado. Há pessoas que não pensam muito sobre o assunto, mas há outras que refletem sobre todas as questões que o envolvem. Neste artigo, você se aprofundará na finitude e em como é importante aceitá-la. Boa leitura!
Afinal, o que é a finitude?
O termo refere-se principalmente à mortalidade, ou seja, ao reconhecimento de que a vida tem um fim. A partir desse pensamento, é possível compreender a fragilidade humana perante a existência e as limitações de espaço e tempo, além de valorizar o momento presente.
Por que evitamos pensar na morte?
A morte ainda é um grande tabu para várias pessoas, independentemente de religião, raça ou idade. O fato é que pensar no fim da vida assusta, pois mostra como somos seres frágeis e temos tempo determinado para experienciar a existência.
Há indivíduos que entram em conflito interno só de pensar na própria morte, conscientes de que o tempo disponível não é tão previsível quanto imaginam. Dessa forma, alguns deles podem ser tomados por incertezas, ansiedade e até pela sensação de “falta de tempo” para realizar seus sonhos e desejos.
O que muda quando aceitamos a finitude?
Ao aceitar que o nosso tempo de vida é limitado, abre-se espaço para o que é realmente importante: aproveitar a vida com presença. Assim, quando alguém admite para si mesmo que a vida é temporária, algumas inseguranças e medos passam a ter proporções menores.
Viver com presença
Com a consciência de que a vida é limitada, é possível aproveitar cada momento com presença. Seja o tempo que passamos com os amigos, com os familiares, com os nossos pets ou até mesmo o tempo que passamos no trabalho, podemos nutrir relações de forma mais intencional, tornando o dia a dia mais leve.
Escolher viver de forma mais presente nada mais é do que se concentrar no agora, sem preocupações com o que pode acontecer no futuro. Não é uma tarefa fácil, mas existem atividades que podem ajudar a aproveitar o presente de forma consistente, como exercícios físicos, meditação, mindfulness e atividades manuais.
A clareza sobre o que importa
Com a aceitação da finitude, a compreensão sobre as coisas importantes da vida se torna mais latente. O tempo dedicado a si, ao outro e aos sonhos passa a ser mais estratégico, e algumas questões relacionadas ao viver perdem força diante da convicção de que o relógio está andando.
O luto como consequência da finitude
Quando pensamos na finitude da própria vida, o luto também nos visita, seja pelo medo de não viver tudo o que almejamos, seja pelo receio de deixar familiares ou amigos, de alguma forma, desamparados.
Pensar em não existir é angustiante, pois não sabemos o que acontece depois de tudo, o que gera mais dúvidas do que respostas. Além disso, esse tipo de reflexão faz com que a pessoa admita para si mesma que o fim da vida é concreto e definitivo.
O que a filosofia e a psicologia dizem sobre a finitude
Ambas as áreas compreendem a finitude da mesma forma: como o fim da vida e a certeza da morte. Porém, há alguns pontos que constroem nuances nas perspectivas desses campos.
A filosofia vê a consciência da morte como algo que estrutura uma vida mais autêntica e presente, em que a lucidez permite que as experiências humanas sejam vividas em sua totalidade.
Já a psicologia utiliza a consciência da finitude para promover mudanças e movimento na vida do indivíduo, lidando diretamente com as angústias existenciais que o tema tende a gerar coletivamente.
Viktor Frankl e o sentido diante da morte
Viktor Frankl, renomado psiquiatra e neurologista austríaco, defendia que a consciência da finitude é justamente o que dá sentido à vida. Para ele, reconhecer que o tempo é limitado nos torna mais responsáveis pelas escolhas que fazemos e pela forma como vivemos. Seu pensamento se apoia em quatro pilares principais:
Finitude como urgência: ao compreender que a vida tem um fim, passamos a enxergar o presente como o momento possível para agir, decidir e construir significado.
A tríade trágica: Frankl entendia que a morte, o sofrimento e a culpa fazem parte da experiência humana. Mesmo sendo difíceis e desconfortáveis, essas realidades podem levar o indivíduo a encontrar propósito em sua própria existência.
Sentimento de autotranscendência: diz respeito à capacidade de ir além de si mesmo, dedicando-se a uma causa, a um propósito ou ao cuidado com outras pessoas.
A memória do passado: para Frankl, tudo aquilo que foi vivido permanece preservado na história de cada indivíduo. As experiências, os afetos e os aprendizados tornam-se parte permanente da existência.
Os estoicos e a meditação sobre a morte
Para os estoicos, a meditação sobre a morte é uma forma de valorizar a vida e de estar conscientemente presente em cada momento. Filosoficamente, eles enxergam a morte como um acontecimento natural, e esse entendimento proporciona clareza e foco para aproveitar, da melhor forma possível, o tempo que nos resta.
A ideia principal que sustenta essa filosofia é viver cada dia como se fosse o último, construindo uma vida autêntica e cheia de sentido.
Finitude e luto: uma relação inevitável
Ao entender que a vida é finita, encaramos a realidade da nossa própria partida e da futura despedida de entes queridos, amigos, pets e até mesmo de fases da vida que não terão retorno. A aceitação dessa condição pode trazer angústias, mas também é fundamental para reorganizar certezas e construir novas possibilidades sem aquilo que foi “perdido”.
Como o Além da Perda pensa sobre a finitude
Acreditamos que a finitude é inerente ao fato de estar vivo e que, quanto antes procurarmos nos informar, melhor será a nossa relação com a vida e com as perdas. Além disso, quando nos damos conta de que o nosso tempo é limitado, redirecionamos a nossa energia para as coisas que importam: relações, sonhos, autoconhecimento e tudo o que traz sentido para a nossa própria existência.
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