A dor da perda e seus efeitos no dia a dia corporativo

Luto e Terapia

A morte de um colaborador é um evento que abala não apenas a família, mas também os colegas de trabalho e a empresa como um todo. O luto corporativo, termo que se refere ao impacto emocional e organizacional causado por essa perda, ainda é um tema pouco discutido, mas que merece atenção. Segundo a psicóloga Adriana Klein, especializada em Intervenção em Situações de Luto, as empresas precisam desenvolver estratégias para lidar com essas situações de forma acolhedora e respeitosa.

“O luto no ambiente corporativo é muitas vezes silenciado, como se as pessoas precisassem seguir com suas funções sem processar a perda. No entanto, ignorar esse impacto pode gerar queda na produtividade, desmotivação e até aumento de afastamentos por questões emocionais”, explica Adriana.

Adriana Klein – Psicóloga

O impacto da perda na equipe

A ausência repentina de um colega pode desestabilizar equipes inteiras. Além do choque emocional, há também desafios práticos, como a redistribuição de tarefas e o ajuste na dinâmica de trabalho. Para Adriana Klein, é essencial que as empresas reconheçam esse impacto e ofereçam suporte adequado.

“Para responder a isso, é muito importante considerar a natureza da morte: foi uma morte acidental, repentina? Aconteceu dentro ou fora da empresa? Foi alguém que já estava em um processo de adoecimento? Foi uma morte por suicídio? Essas informações influenciam diretamente as manifestações de luto das pessoas que conviveram com esse colega”, destaca a psicóloga.

Além disso, o tipo de vínculo que cada colaborador tinha com o falecido também influencia na intensidade das emoções. “Se a morte ocorreu dentro da empresa, por exemplo, pode acontecer um processo de identificação: ‘trabalhava no mesmo setor que eu, tinha a minha idade… poderia ter sido eu’. Nesse caso, o medo pode ser uma manifestação emocional muito presente”, explica Adriana. “Já uma morte por suicídio pode trazer surpresa, incredulidade e até julgamentos, exigindo ainda mais cuidado no acolhimento dos sobreviventes.”

O impacto na produtividade e no clima organizacional

A experiência de perda pode afetar diretamente o desempenho dos funcionários. “O luto é desorganizador e evoca emoções intensas. Sempre que uma morte acontece, vêm a necessidade de diversos ajustes no nosso mundo externo e interno, e isso é bastante trabalhoso e cansativo”, afirma Adriana.

Ela explica que a tristeza, o medo, a raiva, as incertezas e o desânimo são sentimentos comuns durante esse período. “Ninguém tem o mesmo desempenho de antes quando está se sentindo triste, cansado ou com medo. O luto afeta nossas relações interpessoais e até a forma como olhamos para o mundo e para a vida”, ressalta.

O papel da empresa no acolhimento

Uma abordagem humanizada é fundamental para que a equipe possa superar a perda sem que isso comprometa seu bem-estar e desempenho profissional. De acordo com Adriana Klein, algumas ações podem fazer a diferença:

  • Comunicação transparente: Informar a equipe de forma respeitosa e clara sobre a perda, evitando especulações.
  • Espaço para o luto: Permitir que os colaboradores compartilhem suas emoções e recordações do colega, seja em uma homenagem ou em um momento de conversa.
  • Apoio psicológico: Disponibilizar acompanhamento profissional, seja por meio de um serviço de terapia oferecido pela empresa ou pela indicação de grupos de apoio.
  • Respeito ao tempo de cada um: “Não há um tempo ideal para que os funcionários se adaptem à nova realidade sem o colega. A adaptação a uma experiência de perda é muito individual e dependerá de muitos fatores, como os recursos internos de cada indivíduo, o suporte recebido e até mesmo a natureza da morte”, afirma Adriana.

Atividades coletivas como apoio ao luto

Atividades coletivas podem desempenhar um papel fundamental no acolhimento. “Rodas de conversa e homenagens são espaços importantes de compartilhamento da dor e apoio mútuo. Lembrar a pessoa que morreu, compartilhar histórias e reconhecer a perda ajudam a gerar conexão e segurança entre os colaboradores”, aponta a psicóloga.

Além disso, criar uma narrativa coletiva do que aconteceu pode ajudar na assimilação da realidade da perda. “Isso organiza as emoções, fortalece o grupo e pode até desenvolver recursos internos para lidar melhor com o luto”, explica Adriana.

Cultura organizacional e empatia

Empresas que valorizam o bem-estar emocional dos colaboradores criam um ambiente de trabalho mais saudável e produtivo. Segundo Adriana, inserir o tema do luto na cultura organizacional pode fazer com que os funcionários se sintam mais confortáveis para expressar suas emoções sem medo de julgamentos.

“Criar uma cultura que reconhece o luto como parte da vida é um passo importante para um ambiente de trabalho mais humano. Pequenos gestos, como enviar uma mensagem de apoio à família do colaborador falecido ou oferecer um momento de reflexão, podem fazer toda a diferença”, sugere a psicóloga.

Diante disso, fica evidente que o luto corporativo não deve ser negligenciado. Empresas que acolhem seus colaboradores em momentos difíceis demonstram empatia e compromisso com o bem-estar da equipe, criando um ambiente de trabalho mais saudável e resiliente.

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